Códigos de Realidade Alternativa: Como usar códigos QR em ARGs
Key Takeaways
- Os jogos de realidade alternativa permitem que o público se torne participante ativo de uma obra
- Os ARGs ganharam ainda mais popularidade na era da internet
- Os códigos QR podem adicionar elementos de ARG a praticamente qualquer tipo de conteúdo
Já leste um livro ou assististe a um filme e pensaste que talvez houvesse algo mais escondido por trás da história? Uma frase estranha escrita ao fundo, uma fala esquisita de um personagem, ou até um código QR quase camuflado à vista de todos. O que será que significam?

Se a resposta for sim, então provavelmente já esbarraste com um ARG. E se decidires seguir as pistas, resolver os enigmas e escanear os códigos, vais viver uma experiência imersiva e inesquecível, que mistura jogo com narrativa.
Neste artigo, vou explicar o que são ARGs, ou Jogos de Realidade Alternativa, além de mostrar alguns dos exemplos mais populares e como podes usar códigos QR para criar o teu próprio jogo. Então fica atento a tudo e talvez até prepara um bloco de notas, porque o jogo começa agora!
O que é um código QR?
Um código QR é um tipo de imagem que pode ser escaneada para acessar os dados que contém. Costumam ser quadrados e formados por quadradinhos pretos e brancos, embora a aparência possa variar, e podem aparecer em todo tipo de material, como adesivos, panfletos, cartões, placas, letreiros, anúncios e muito mais.
Os códigos QR são extremamente versáteis e podem ser usados para compartilhar e acessar documentos de texto, informações de rastreamento, imagens, materiais educativos, senhas de WiFi, e até conteúdo online, como links de URL, contas de redes sociais, vídeos, e grupos de chat.
O que é um ARG?
A sigla ARG significa Alternate Reality Game (Jogo de Realidade Alternativa), e se refere a uma experiência interativa ou narrativa que usa o mundo real como plataforma. Ao contrário de um videogame tradicional, onde tu és o Mario no Reino dos Cogumelos jogando num Nintendo Switch, aqui tu és o protagonista, e a fase é o mundo à tua volta.
Os ARGs utilizam múltiplas plataformas e formas de jogo, que podem incluir locais e eventos do mundo real, além de sites, redes sociais, conteúdo em vídeo e até outros formatos de mídia, como filmes e séries de TV.
Provavelmente o ARG mais popular é o Pokémon GO, onde os jogadores usam o celular para capturar monstrinhos digitais espalhados pelo mundo real.
Esse tipo de jogo pode ser um pouco difícil de descrever e entender, então vou dar um exemplo:
Imagina que existe uma série de vídeos publicados num canal do Youtube, onde o narrador está investigando fenômenos paranormais ocorridos anos atrás, enquanto trabalhava num filme estudantil, e vai publicando as provas conforme as encontra.
Ao mesmo tempo, um segundo canal do Youtube começa a publicar vídeos em resposta a cada um desses, oferecendo pistas enigmáticas e enigmas para o público. Além disso, o narrador do canal original cria uma conta no Twitter/X para interagir com os espectadores e dar dicas para resolver os enigmas.
Em um dos vídeos do segundo canal, há uma mensagem secreta que pode ser decifrada com uma cifra fornecida em um vídeo do canal principal. Esse código revela um link para um vídeo privado do Youtube, que revela mais da história.
Quando jogadores suficientes resolvem o enigma e assistem ao vídeo secreto, a história continua e o ciclo recomeça.
Apesar de parecer complicado, essa forma de contar histórias através de um jogo funciona muito bem para engajar o público e conquistar seguidores. Na verdade, esse exemplo é basicamente a fórmula usada pelo popular jogo e série na web de 2009, Marble Hornets.
Essa série foi extremamente popular na sua época, com o canal original acumulando mais de 700 mil inscritos, popularizando o mito do Slenderman e inspirando outros projetos parecidos, incluindo Everyman HYBRID, Dark Harvest, CH/SS, e NOC + 10. Marble Hornets também voltou recentemente com a pseudo continuação Rosswood.
Como os códigos QR podem ser usados em um ARG?
Os códigos QR são uma forma excelente e fácil de transformar praticamente qualquer conteúdo em um ARG, ou pelo menos dar a ele elementos de ARG. Como os códigos QR podem ser escaneados tanto no mundo real quanto numa tela, dá para colocá-los num pôster, num cartão, numa pintura, ou até em outro tipo de mídia.
Quando os jogadores encontram esse código, escondido ou não, basta escaneá-lo com o celular para acessar o conteúdo.
O relançamento de 2021 de Alan Wake é um ótimo exemplo disso. Dentro do mundo do jogo há três códigos QR diferentes. Ao serem escaneados, eles levam a um vídeo que dava um gostinho do então futuro lançamento de Alan Wake 2.
Na prática, dá para transformar qualquer conteúdo em um ARG usando códigos QR escondidos.
Também é possível espalhar códigos QR pelo mundo real para os jogadores encontrarem. O ARG de Batman: O Cavaleiro das Trevas usou essa tática na San Diego Comic Con para promover o filme que estava por vir.
Quais ARGs populares existem por aí?
Como mencionado acima, alguns ARGs populares acompanhados de séries na web são Marble Hornets, Everyman HYBRID, NOC + 10, e Dark Harvest.
Todos eles se encaixam no gênero de terror e paranormal, que combina especialmente bem com o formato ARG, já que dá ao jogador a sensação de ser o detetive ou investigador amador desvendando um mistério sombrio. Welcome Home é um exemplo particularmente excelente disso, um jogo que ainda está em andamento atualmente.
Mas os ARGs também podem ser usados em outros gêneros. Mossflower Pictures, em especial, se destaca por acontecer num cenário de fantasia. E claro, Pokémon GO é ambientado no universo do popular jogo e franquia de anime.
Mas muitos ARGs também são usados para promover projetos de orçamento maior e alcance mais amplo. Batman: O Cavaleiro das Trevas, Dexter, Cloverfield, Gravity Falls, e vários jogos da franquia Resident Evil já usaram conteúdo no estilo ARG como parte das suas campanhas de marketing.
Mais recentemente, a série animada na web produzida pela GLITCH, Knights of Guinivere, trouxe um código QR escondido no episódio piloto, que permitia aos espectadores ver arte exclusiva relacionada à nova série.
Dicas gerais
Conheça o teu público: Se tens certeza de que a maior parte do teu público não sabe usar códigos QR ou simplesmente não gosta deles, então não os use.
Mantenha as instruções claras: Dê instruções claras sobre como usar e escanear os códigos QR, além de para onde eles vão redirecionar.
Coloque os códigos em superfícies planas: Para garantir que os códigos continuem escaneáveis, coloque-os apenas em superfícies planas, como paredes, mesas, pôsteres ou panfletos.
Use alto contraste: Se usar cores personalizadas no código, certifique-se de que as cores sejam distintas o bastante entre si para que o código QR seja lido corretamente.
Garanta que os códigos fiquem visíveis: Não coloque os códigos em locais onde as pessoas dificilmente vão vê-los.
Use códigos apenas quando necessário: Se existir uma alternativa mais fácil para todos os envolvidos, use-a.
Teste em vários dispositivos: Garanta que os teus códigos funcionem tanto em dispositivos Android quanto em iPhone, tablet ou outros aparelhos.
Perguntas frequentes
P: Preciso contratar alguém para criar os meus códigos QR?
R: Não. Os códigos QR podem ser criados por ti mesmo, gratuitamente, usando um serviço como o QR Code Developer.
P: Preciso baixar algum aplicativo para escanear códigos QR?
R: Embora existam aplicativos de leitura de códigos QR para dispositivos móveis, eles não são obrigatórios. A maioria dos smartphones modernos consegue escanear os códigos perfeitamente bem direto pelo aplicativo de câmera nativo.
P: Quais dispositivos conseguem escanear códigos QR?
R: A maioria dos dispositivos inteligentes modernos, com câmera integrada e conexão à internet, consegue escanear códigos QR e acessar o conteúdo neles contido. Isso inclui smartphones, tablets e até alguns consoles portáteis de videogame.
P: Os códigos QR são seguros?
R: Embora existam alguns riscos ao usar códigos QR, eles são relativamente seguros.
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